sexta-feira, 16/10/2026

O impacto da internet nas lojas físicas: como os hábitos de compra dos brasileiros estão se transformando

O cenário do comércio varejista brasileiro está passando por uma transformação significativa, impulsionada pela mudança no comportamento do consumidor. De acordo com a primeira edição do Radar Smollan, divulgada em agosto, 76% dos entrevistados…

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O cenário do comércio varejista brasileiro está passando por uma transformação significativa, impulsionada pela mudança no comportamento do consumidor. De acordo com a primeira edição do Radar Smollan, divulgada em agosto, 76% dos entrevistados relataram ter visto um produto em uma loja física antes de finalizarem a compra online. Essa tendência, chamada de “showrooming”, traz à tona os desafios enfrentados pelas lojas tradicionais, que buscam se manter relevantes em um mercado cada vez mais digitalizado.

O g1 já havia destacado que a pressão sobre o varejo não se limita apenas à concorrência com o comércio eletrônico, mas também é exacerbada pela situação econômica, com juros altos e crédito escasso limitando o consumo das famílias. Nesse contexto, os varejistas estão repensando suas estratégias: fechar lojas, cortar custos e otimizar operações são algumas das medidas adotadas para lidar com a crise.

A pesquisa da Smollan revela que, além do showrooming, existe um fluxo de consumidores que vão à loja física após pesquisarem na internet. Um impressionante 81% dos entrevistados afirmaram ter buscado informações online antes de visitar uma loja, e 87% já saíram de uma loja com um produto diferente do que pretendiam comprar. Esses dados demonstram que a jornada de compra é cada vez mais integrada entre os ambientes físico e digital.

Por que, então, o consumidor ainda se dirige às lojas físicas? Para 46,1% dos entrevistados, a experiência de ver o produto pessoalmente é fundamental, enquanto 29,2% valorizam a possibilidade de sair com o item em mãos. As preferências variam conforme o tipo de produto: enquanto 93,4% dos consumidores preferem comprar carne em lojas físicas, a escolha se torna mais equilibrada em categorias como eletrônicos, onde 39,6% optam pela loja física, mas uma fatia significativa também compra online.

Renato Vechiatto, COO da Smollan para a América Latina, destaca que, embora os consumidores cheguem às lojas mais informados, o ponto de venda ainda exerce uma forte influência nas decisões de compra. Ele sugere que os varejistas devem aproveitar a experiência única que a loja física pode oferecer e, mesmo que não consigam igualar os preços online, podem apresentar alternativas que tornem a compra mais atrativa.

Além disso, a pesquisa destacou que o preço é um fator decisivo para 77,7% dos consumidores, seguido pelas promoções, que atraem 61,1% das pessoas. A disponibilidade do produto é outro aspecto crucial, com 27% dos entrevistados apontando que a falta de estoque é um dos principais problemas nas lojas físicas. Essa lacuna pode custar não apenas a venda de um item, mas também a confiança do consumidor na loja como um todo.

As lojas precisam, portanto, evoluir e se adaptar a esse novo cenário. Manter uma boa integração entre canais e garantir a disponibilidade de produtos é essencial para evitar que o consumidor encontre o que deseja em um canal, mas não consiga comprá-lo no outro. Vechiatto enfatiza que a loja física não está condenada a desaparecer, mas sim a se reinventar, oferecendo uma experiência que complemente as compras online.

Em suma, o futuro do varejo físico dependerá de sua capacidade de se adaptar às novas realidades do consumo, proporcionando preços competitivos, disponibilidade e uma experiência de compra que atenda às expectativas dos consumidores. O showrooming, longe de ser o fim das lojas físicas, sinaliza uma nova era de integração e inovação no varejo.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — Camera-man (pixabay)